quarta-feira, 13 de maio de 2015

Só eu

Sempre admirei as mulheres, o corpo feminino, o charme, a elegância. Desde muito jovem era um expert em ver além das mini-saias, em saber o momento exato da cruzada de pernas fatal. E jamais resisti a um belo decote ou a uma barriguinha de fora sob blusa curta.
Posso nunca ter sido um conquistador, pois sou o cúmulo do tímido e nada cafajeste. Mas admirador de mulheres como eu, acho muito difícil existir outro! A beleza feminina é irresistível.
Sendo assim, não foi nada difícil me imaginar tão deliciosamente teen de novo. Aliás, acho que nunca deixei meu lado teen, bobão, babão por mulheres de lado.  

Só eu


Só eu que sei o que sei,
O que vi, o que percebi.

Só eu que percebi que estavas triste,
Ou radiante, e sabia o motivo. 
Só eu que tentava ver além do teu olhar,
O que estava lá no fundo misterioso 
Que tentas esconder.

Só eu que enlouqueci com teu belo par de pernas,
Que me fez até desconcentrar. 
Só eu que admiro tuas deliciosas imperfeições,
Partes do teu corpo que sonho em acariciar.
Só eu que sei o jeito certo de teu decote aproveitar,
Decote que já me fez viajar tantas vezes.
Só eu que percebo a cintura da tua calça mais baixa,
E não posso deixar de sonhar ,
Em contigo estar, vestida só com aquela delicada peça. 
 
Duvido que haja alguém
Que te veja em cada detalhe,
Que te sinta em cada momento. 
Mas isto é segredo meu, e guardado comigo vai ficar.
Porque se me olhasses, se me percebesses,
Já saberias de tudo, tão evidente está... 

Marcos A. F. Borges
14/05/2015

Minha múltipla vida

A vida é uma, temos pouco tempo, poucas escolhas,
Se vamos para um lado, dificilmente teremos oportunidade de experimentar coisas muito diferentes,
Se fazemos opções, elas irão nos acompanhar para sempre.
E assim é a vida, simplesmente uma só. 

E é por isso que eu adoro cinema,
No cinema posso sentir e viver todas as vidas que seria impossível eu ter. 
Lá eu vivo paixões arrebatadoras,
Lá eu desfruto amores tranquilos,
Lá naquela sala escura eu viro herói e bandido,
Um pária explorado e certinho,
Ou um louco drogado em quase suicídio.

Por duas horas eu me coloco, eu me liberto, eu sou outro eu,
E depois que as luzes acendem eu posso dizer, 
Com toda a sinceridade,
Que o cara que sai não é o mesmo que entrou,
Pois agora já sei como se sente alguém muito diferente de mim.
É um aprendizado profundo, pois mais do que ler o que alguém escreveu, 
Ou conversar com alguém que diversamente de mim viveu,
Aquela tela me faz sentir, me faz teletransportar para uma outra dimensão,
Onde não há limites para a imaginação.

Sou viciado em cinema, esse é o meu jeito,
Pois sou viciado em entender o mundo, a vida, as pessoas,
Em imaginar situações as mais diversas, 
Enriquecendo minha memória com as mais antagônicas sensações. 

Eu, sem cinema, não sou eu,
Eu, sem cinema, sou muito menos,
Mas,com cinema, as portas da minha mente se abrem
Para todos os mundos que existem ou que se possa imaginar.


Marcos A. F. Borges
14/05/2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Uma noite de outono

Ó lua cheia perfeita,
Que a noite enfeita,
Paz no meu coração,
Deita. 

Depois de um longo dia de trabalho,
Corpo cansado, alma exausta,
Uma cadeira em meio ao gramado,
Um copo de vinho,
E nada na cabeça,
Só a contemplar
como a lua este céu enfeita!

O vento gelado a minha pele toca,
Estrelas sem fim ao teu lado 
A aura de tua luz no céu te circunda,
E nuvens apressadas fazem o fundo deste cenário
Mudar em ritmo  alucinante.

E eu aqui em meio a este silêncio,
A este frio, a este brilho eterno
Pensando na vida, pensando em tudo, pensando em nada. 
Admirando tua beleza tão simples, tão única.

Ó lua cheia perfeita
Que o céu desta fria noite de outuno
Enfeita
Obrigado por tua companhia.

Marcos A. F. Borges
Campinas, 06/05/2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Aquarela

E para fechar esta sequência de hinos do marcos, Aquarela, do Toquinho. A letra é doce como a voz do cantor. A poesia é simples, inocente, quase infantil, mas tão naturalmente poética....

Veja a música no Vagalume clicando aqui


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul,
Vou com ela, viajando, Havai, Pequim ou Istambul.
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul.

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.
Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo,
E se a gente quiser ele vai pousar.

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida.
De uma América a outra consigo passar num segundo,
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.

Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá.

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá).
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá).
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (que descolorirá).

O que é, o que é

Aqui vai um outro hino para mim: uma música tão doce, tão franca... De um cara que tanto sofreu mas que conseguiu transformar esse sofrer em tão belas palavras.  
Para saber mais sobre o Gonzaguinha, clique aqui
 

O Que é, o Que é?

 
 Eu fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar,
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!
E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,
Há quem fale que é um divino mistério profundo,
É o sopro do criador numa atitude repleta de amor.
Você diz que é luta e prazer,
Ele diz que a vida é viver,
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer.
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé,
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser,
Sempre desejada por mais que esteja errada,
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,
E a pergunta roda, e a cabeça agita.
Fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
É a vida! É bonita e é bonita!

Maluco Beleza

A música símbolo do Raul Seixas, que era chamado de Maluco Beleza não a toa...  E mais um dos meus hinos...  Eu amo de paixão essa música.

Veja ela no Vagalume aqui




Enquanto você se esforça prá ser
um sujeito normal
e fazer tudo igual

Eu do meu lado, aprendendo a ser louco
Um maluco total
na loucura real

Controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza


Este caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
por não ter onde ir

Controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez

Vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza
Eu vou ficar.....

Quer saber?

Quer saber?
Quer saber, minha vida?
Quer saber?

Não vou mais baixar a cabeça,
Não vou mais me conformar,
Está na hora do mundo saber,
Que aqui tem alguém que quer provar.

Que quer provar o que é,
Que quer provar do que é capaz,
Que quer provar seu valor. 

Não vou lutar lutas inúteis,
Não vou gastar tempo com o que não vale a pena,
Não vou discutir o país com politiqueiros,
Nem democracia com marxistas. 
Porque isso é perder tempo,
E a vida é curta demais para jogar um minuto fora.

Não vou pedir para que me admirem,
Porque admiração não se recebe com pedidos,
Não vou pedir para que me ouçam
Porque só ouve quem quer ouvir
Não vou pedir que me desculpem
Por ser o que sou. 

Mas vou ter coragem de fazer escolhas,
De virar e revirar do avesso planos, 
De usar noites para grandes progressos profissionais,
De fazer loucuras para curtir momentos únicos
E de investir um dia inteiro só contemplando belas crianças.

Não vou mais me conformar com o básico,
O pasteurizado, o padrão,
Porque a vida vai passando e é preciso experimentar
Ser a cada dia outro eu.

E se o Marcos de amanhã for diferente,
O de depois de amanhã pode ser de outro jeito,
Ou sim, ou não, 
Não tenho obrigação de ser sempre previsível. 
Minhas obrigações são cuidar dos que amo,
Respeitar as leis e tratar a todos com respeito.
Mas, tirando isso, e só isso,
Tudo é livre para mim. 

Sai da frente, mundo,
Sai da frente porque eu quero passar
Quem for meu amigo,
Entre no trem e siga a me acompanhar.
E quem comigo não concordar,
Basta me ignorar
Eu não vou me incomodar. 

Marcos A. F. Borges
01/05/2015

Play the game

Essa música é linda, a interpretação é perfeita... Os músicos, os melhores de todos os tempos na minha opinião. Mas nunca tinha atentado para a letra. E a letra merece aparecer neste blog...

Para ler mais sobre o que penso do Queen, clique aqui

Escute a música no Vagalume

Play The Game


Queen
Compositor: Freddie Mercury 
Open up your mind and let me step inside
Rest your weary head and let your heart decide
It's so easy when you know the rules
It's so easy all you have to do
Is fall in love
Play the game
Everybody play the game of love

When you're feeling down and your resistance is low
Light another cigarette and let yourself go
This is your life
Don't play hard to get
It's a free world
All you have to do is fall in love
Play the game everybody play the game of love

My game of love has just begun
Love runs from my head down to my toes
My love is pumping through my veins (play the game)
Driving me insane
Come come come come play the game play the game play
the game play the game

Play the game everybody play the game of love

This is your life - don't play hard to get
It's a free free world all you have to do is fall in love
Play the game yeah play the game of love
Your life - don't play hard to get
It's a free free world all you have to do is fall in love
Play the game - everybody play the game...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O sonho impossível

Não espero nada além do possível,
Porque o impossível, impossível se manterá. 
Não espero um resultado diferente,
Pois o que foi, o que é, sempre será.
Não espero uma mudança de planos,
De expectativas, de regras, de leis
Pois do jeito que está é como ficará.

Mas se não há esperanças, 
De algumas coisas como são mudar,
E sei que não há,
Os sonhos não podem faltar.

E sempre vou me permitir sonhar,
Em sonhos internos, sonhos só meus,
Sonhos que não devo revelar,
Porque só a mim podem interessar. 

E se uma vez deixar os sonhos,
Para além de mim voar,
Lá dentro do meu peito 
Vou eles engaiolar,
E feliz, sozinho, as vezes,
O seu canto escutar,
O cantar harmonioso do sonho 
Do sonho deliciosamente impossível.

Impossível no mundo real,
Insano no mundo dos homens,
Inculto no mundo da razão,
Mas lindo sonho
Habitando a minha ilusão. 


Marcos Borges
30/04/2015

José

Acho essa poesia fantástica porque exprime muito bem aquele sentimento de desespero que sentimos ao nos perceber incapazes de resolver uma questão. Obra prima do nosso maior poeta. Que agonia, José, que agonia, não saber o que fazer...

 José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio
e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade
In Poesias
Ed. José Olympio, 1942
© Graña Drummond

sábado, 25 de abril de 2015

Balada do louco

Posso dizer que a música abaixo é um dos meus hinos e a interpretação do Ney também é mágica. Apesar de parecer ser esse cara tão normal, lá no fundo tem um louco que nunca me deixou pasteurizar...

Para ouvir a música, vá até o Vagalume aqui



Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Quem é você?

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava

Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava
Tim Maia

Quem é você que me ocupa,
Que me preocupa, que me perturba?

Quem é você que aqui está sem estar,
Que presente fica o tempo todo sem vir,
Que o perfume no ar ainda posso sentir?

Quem é você? Quem pode ser?
Seus olhos brilharão por mim ao me ver?
Suas mãos suarão geladas ao me perceber?
Seu coração baterá disparado ao minha voz ouvir?

Quem é você? Você existe?
Alguém que vai ao cinema só para minha mão pegar,
Alguém que come um chocolate só para um pedaço me dar,
Alguém que em meu peito quer deitar e sonhar?

Onde estará você à esta hora?
Em qual lugar posso lhe encontrar?
Divide comigo um vinho em uma mesa de bar?
Ou entre sorrisos e muito barulho quer dançar?
Eu poderia ao final para sua casa lhe levar,
Bastaria isso para com paz no coração ficar...

Quem é você? Afinal quem é?
Quem é essa grande mulher?
Como é o seu sorriso?
O que tem que eu preciso?
O que mais posso dizer
Além de quem é você?
Eu preciso saber!

Marcos A. F. Borges
25/04/2015

Metamorfose ambulante

Músicas também são poesias, né? E eu sou muito, muito fã de música. E o Raulzito, um cara inteligente e criativo como poucos, o que podemos falar? Essa aí eu acho fantástica, não só pela letra, mas pela interpretação brilhante desse cantor único que nos deixou tão cedo por causa da angústia que a bebida criou em seu coração...

O eterno Raul Seixas
Para ouvir, dá um pulo no Vagalume aqui


Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha velha velha velha velha
Opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

sábado, 18 de abril de 2015

Quero te provar

PoesiaQTProvar
Quero Te Provar

"Quero te provar
Sem medo e sem amor
Quero te provar
Cozida a vapor
Quero te provar"
Skank

Quero te provar,
Com desejo, com loucura, sem pudor,
Num momento, num instante,
Por todo um dia apaixonante,
Por toda a vida num minuto.

Quero o sabor doce de sua pele,
E o calor que transborda do seu perfume,
Tomá-la nos meus braços com força e suavidade,
Consumi-la como a um vício desejado
Sem a pretensão de ser amado
Apenas buscando satisfação.

E na confusão de pernas e braços,
Beijos e abraços, sexo a exaustão,
Perder o fôlego, morrer de cansaço,
Recuperá-lo em tempo e espaço
Para que possa retornar sem demora
Enquanto te possuo, você me explora,
Nesta batalha sem igual,
Que me transforma de confuso ser pretensamente inteligente,
Em completo e orgulhoso animal.

Marcos A.F. Borges
10/09/96

Ano novo




Quem quiser ter um novo ano a partir de primeiro de janeiro precisa pensar. Precisa deitar na cama e lembrar tudo que fez, e entender como seria melhor, e planejar como será no futuro. Precisa definir o que é e o que quer ser.

Precisa de um mergulho num mar agitado onde ondas levarão com elas as tensões. Olhar para as jovens bonitas em seus biquinis. Brincar com as crianças. Jogar algo com a mulher ou filhos, amigos ou parentes, com água pela cintura. Precisa se ver como parte do todo.

Revoltar-se com o que é errado. Em caso de conformismo exagerado, escutar um velho disco dos Titãs. Xingar políticos corruptos, senhoras reacionárias, religiosos inescrupulosos. Sentir aquele ódio bom, ódio de desaprovação, ódio irriquieto, ódio que nos faz lutar por mudanças. Precisa entender que tudo que é, é por sua causa também.

Amar muito, sentir muito. Sentir o respeito dos amigos, o amor da família, o abraço da mulher amada, o orgulho de si mesmo. Sentir-se forte e confiante. Mas também sentir-se amparado, em companhia de todos que lhe são caros. Precisa se sentir humano.

Definir, ver, entender, sentir. Conciliar racional com irracional. Somos animais humanos buscando esperança num novo ano. Que seja um ano de luz, no qual esperança e realidade se fundam numa única energia: a energia construtora de um mundo novo. Num novo ano.

Marcos A. F. Borges
29/12/95

Instantes

Sempre adorei instantes, desde que a li pela primeira vez. Havia uma lenda que era de  Jorge Luis Borges, mas parece que não é. O autor real ainda não descobri.


I N S T A N T E S


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
Iria a mais lugares aonde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas
que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida:
claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso e' feita a vida,
só de momentos, não percas agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um para-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria voltar a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim de outono.
Daria mais voltas a minha rua,
contemplaria mais amanhaceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Bem vindos!

Desde pequeno adorava ler poesias. E escrever versinhos bobos sobre tudo. Depois, quando teen, foram centenas de "músicas", músicas que só eu conheço e as vezes canto no banheiro quando mais ninguém está escutando...
Mas aí veio a faculdade, a vida adulta, os compromissos e por muito tempo me afastei desse mundo. Vez ou outra arriscava um verso tosco e idiota para uma namorada, mas este lado foi se perdendo, até porque tenho autocrítica...
Resolvi criar este blog para tentar recuperar esse meu lado. O lado mais humano, menos engenheiro, menos objetivo. Um lado muito eu que andava bem escondido.
Quero aqui divulgar poesias que me marcaram, que me fizeram pensar, pensamentos os mais variados. E um pouco de mim também.
Começo com o que já havia divulgado na minha página pessoal quando fazia mestrado. E depois vou incrementando. Sem pressa, sem pressão, sem urgência. E sem medo.
Não esperem nada profundamente literário, pois sei que sou um engenheiro. Não esperem erudições ou filosofias, porque eu sou um cara simples que adora falar, mas um cara que veio do povo e nunca quis ser diferente disso. Não faço isso buscando fama ou elogios, porque sei muito bem meu nível nesse mundo da escrita: sou e sempre serei um humilde amador sem técnica. Faço isso apenas porque acho que é um lado que quem gosta de mim pode conhecer. E quem gosta de ajudar, pode me dar dicas de como melhorar.
Bem vindos ao "Sem medo de poesia"!