sábado, 29 de outubro de 2016

Eu queria (II)



Eu queria saber que sou amado,
Que muitos se preocupam com o meu caminhar,
Que tantos gostam de me ver
Por longas horas, comigo conversar.

Eu queria crer que a vida trará surpresas,
E que, tudo, vez por outra, mudará,
Que as coisas boas que fazemos para o mundo,
Alguma hora virão nos recompensar. 

Eu queria acreditar que me entenderiam
E que, para o sucesso, jovens, eu pudesse liderar
Que a vida de muitos eu conseguisse melhorar
E que, aos mais queridos, eu sempre tivesse como agradar.

Eu queria sentir que é verdade,
Que seu olhar é mais que só amiga,
Que seu abraço, não é só de compaixão,
Que seu carinho é mais profundo
Que uma doce admiração.
Eu queria poder sonhar em tê-la ao lado,
E admirar a doçura do seu olhar
A cada despertar.
Eu queria poder desejá-la toda noite,
E sempre ao seu lado me deitar.

Mas a vida, essa vida, vida que passa,
Não é filme, com trama e final feliz a nos esperar,
É apenas uma vida linear, monótona,
Pela qual iremos passar.
Que nos cobra força, que nos cobra dureza,
Que pouco, de verdade, nos dá,
E quando percebermos, antes mesmo de nossos desejos alcançar,
Pode, de forma triste e vazia, solitariamente acabar. 


Marcos A. F Borges
29 de outubro de 2016

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